segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Era uma vez... em Hollywood traz de maneira grandiosa a fórmula de Tarantino


Quentin Tarantino é sem dúvida um dos mais famosos cineastas desde os anos 90. Seus filmes possuem uma ótima bilheteria independente da história, mas "Era uma vez em... Hollywood (2019)" tinha um aperitivo a mais: anunciado em 2017, o longa teria como assunto principal Charles Manson, líder de uma seita responsável por vários assassinatos no final da década de 60, entre eles, o da atriz americana Sharon Tate, considerada na época uma grande promessa da indústria e indicada a um Globo de Ouro em 1968.

Entretanto, o que vimos nas telas não foi bem isso. A premissa do filme foi a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um ator de filmes e séries de bang-bang começando a ficar decadente em Hollywood e seu dublê/faz-tudo Cliff Booth (Brad Pitt). Essa foi a segunda vez que DiCaprio e Brad Pitt trabalhavam com o diretor. O ganhador do Oscar de melhor ator em 2016 pelo "O Regresso (2016)" havia interpretado Calvin Candie em "Django Livre (2012)", e Brad Pitt fez o inesquecível Tenente Aldo Raine em "Bastardos Inglórios (2009)". Essa porém foi a primeira vez que ambos os atores atuaram juntos. Margot Robbie, indicada ao Oscar ano passado, estreou com o diretor interpretando Sharon Tate, uma atriz que começava a chamar atenção de Hollywood. Outra novidade para Tarantino foi não ter Harvey Weinstein envolvido neste projeto. O produtor americano havia trabalhado com o diretor em diversos trabalhos, mas Tarantino decidiu cortar relações após os casos de abuso e assédio sexual virem à tona em 2017.

Voltando ao filme, a história em si não é original. O que não faltam são filmes sobre atores decadentes tentando se reinventarem, mas a relação de Rick Dalton com Cliff Booth chama atenção. O personagem de Brad Pitt chama mais atenção que o suposto protagonista do filme. Enquanto isso, vemos uma Sharon Tate se encontrando em Los Angeles e sendo vizinha de Rick Dalton, apesar dos dois nunca se verem. Crescia também a comunidade hippie americana (o filme é ambientado em 1969, ano da morte de Sharon Tate e do Festival Woodstock, um marco do movimento hippie), que é várias vezes zombada pelo personagem de DiCaprio.

A PARTIR DAQUI O TEXTO CONTÉM POTENCIAIS SPOILERS

Até um pouco mais de duas horas de filme, é difícil saber exatamente o que estamos assistindo. É um filme sobre um ator com medo de cair no esquecimento se arriscando em um novo trabalho? E Sharon Tate? Por que ela está desconectada da história? Ela é apenas a vizinha de Rick Dalton? Não deveria ela ser a principal pelo contexto do que aconteceu na vida real? É aí que entra Quentin Tarantino. Na meia hora final de filme, o diretor quebra todas as expectativas do espectador que foi aos cinemas esperando para ver uma simples representação do que aconteceu naquela noite de 8 de agosto de 1969. Diferente do que fez em "Bastardos Inglórios", a licença poética de Tarantino tem total influência para o fim da história, mesmo que ainda assim, na última cena em especial, você fique desconfiado. Se Sharon Tate ou Hollywood foram homenageados? Eu diria que a arte cinema foi a grande homenageada.

4 comentários:

  1. Adorei esse filme e a forma única como o Tarantino aborda toda a questão. Incrível a sua reflexão, tive a mesma percepção

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  2. AMEIIIII O FILME... TARANTINO É DEMAIS MESMO, apesar de passar pano pra abusador sexual

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